• Mestre Arq.Urb Augusto Fonseca

Arch Hoje: Arch Especial- Entrevista Frank Gehry


Fala galera, Tudo beleza?

Conforme prometido aqui está o resultado final da entrevista do Frank Gehry para a Alta Online. A entrevista foi dada para revista Alta Online, um jornal e revista com circulação na Califórnia, o Arch Search teve autorização exclusiva e a honra de traduzir a entrevista toda para vocês, confiram!!!!


Esperamos que gostem e que conheçam um pouco mais de como pensa o mestre Gehry.

Frank Gehry é arquiteto e artista. Sua perfeição de design e tecnologia aliados ao detalhado planejamento, os cuidados com a hidráulica e materiais fazem dele um Da Vinci da era moderna. Em seu portfólio ele tem edifícios bastante icônicos - alguns curvos, outros feito com materiais de rua, mas sempre obedecendo a emoção, liberdade e utilidade para as pessoas. Suas obras têm sempre um orçamento enorme, porém fixo e obedecer isso é muito importante para ele.

Aos 88 anos ele está a todo vapor e sem mostrar sinais de que vai se aposentar - a cada ano diversas obras dele são inauguradas ao redor do mundo. Conversamos com ele em seu estúdio na Playa del Rey - onde estavam uma coleção de obras famosas e outras nem inauguradas ainda - para ouvir um pouco sobre sua carreira, suas obras e seus métodos.

WILL HEARST: Quando você era criança você já gostava de arquitetura? O que fez isso ser uma área de interesse seu?

FRANK GEHRY: Bem, isso não começou quando eu era criança. Eu gostava de jazz, física, ciência e química. Eu gostava de coisas exatas, eu queria voar. Também gostava bastante de política. A religião me atraía também e também o fato de eu descobrir que não era uma pessoa religiosa e não acreditava em nada dessas coisas.

Eu costumava ir à aulas de arquitetura na University of Toronto nas sextas de noite. Meus amigos nunca iam comigo, porque eles queriam sair e namorar. Como era uma coisa que eu estava gostando eu continuei indo sozinho até que um dia um rapaz, que acabou se tornando ninguém menos que Alvar Aalto, deu uma palestra e eu nunca esqueci o que ele falou aquele dia. Eu não sabia nada de arquitetura e tampouco conhecia Aalto.

HEARST: Quando você decidiu seguir arquitetura como uma carreira?

GEHRY: Foi no colegial, a gente tinha que fazer aqueles testes vocacionais e eu me lembro de ter caído arquitetura para mim. No vestibular de arquitetura da Universidade de Toronto você tinha que desenhar uma casa de pedra, com cara de vilarejo, bem romântica. Eu olhei aquilo e pensei, "Poxa, eu não gosto disso". Eu gostava mais de criar coisas e não de copiar desenhos ou recriar o que já existia.

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PRÉ PÓS MODERNISMO

Gehry nunca foi um arquiteto convencional, nem para edifícios comerciais quanto residenciais. Ele começou a se distanciar da arquitetura tradicional em meados dos anos 70, pois se sentia frustrado com as regras e parâmetros da época e ao mesmo tempo ficava cada vez mais fascinado com materiais menos comum e técnicas arrojadas - o que fez com ele ficasse conhecido como um arquiteto pós modernista. Seu primeiro trabalho - que se tornou sua marca registrada foi o Museu de Arte Moderna em Nova York, o MoMa que trouxe bastante do estilo neoclássico europeu Beaux Arts - que usa bastante esculturas decorativas.

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GEHRY: Isso foi bem quando o Modernismo estava acabando. Todos estavam tentando começar diferente, correto? O Modernismo era frio, muito mecânico - mas isso não foi culpa dos arquitetos, era o modelo mesmo.

O MoMa foi um suspiro de alívio porque de repente vimos algo fazendo referência à Beaux Arts e isso foi muito sedutor, todos ficaram doidos.

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A CASA DE SANTA MONICA

Uma das obras pós modernistas mais notáveis foi sua própria casa em Santa Monica - uma mistura de metal, grades e outros materiais inusitados.

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HEARST: Eu acredito que sua casa em Santa Monica foi a primeira vez que as pessoas pensaram "Quem é este cara? O que ele está fazendo? Isso é muito diferente, ele é muito diferente. Temos que prestar atenção nele".

Você mudou o jeito que vemos o mundo. A primeira vez que eu fui a sua casa eu pensei "Ele usou grades e essa madeira barata" - mas eu senti uma sensação maravilhosa na sua cozinha, dentro daquela caixa esquisita eu senti que poderia ficar o tempo todo naquela cozinha".

Outra coisa foi a voz que veio de dentro de mim dizendo "Ande até a Pico [Boulevard, em Santa Monica] e veja. O que você acha que vai ver? O Taj Mahal? Não, você vai ver madeira barata e uma área que parece em construção. Essa é a cidade de hoje".

GEHRY: Bem, as grades foram pensadas por isso mesmo. Quando eu coloco algo na minha cabeça eu vou atrás e não desisto. Eu fui a uma palestra sobre negação, no sentido psicológico mesmo, de ideias e o impacto que isso tem na sociedade e na cultura e eu queria expressar isso na arquitetura e encontrei dessa forma. As grades de metal são o produto mais produzido no mundo e você encontra em todos os países, porém é também o material mais odiado no mundo. Essa é exatamente a essência da negação e eu pensei "Está aqui um bom modelo, eu preciso explorar isso. Como você pegar algo que todos odeiam e fazer ficar legal?" Foi isso que eu tentei.

HEARST: Como você começou a desenvolver o estilo pós modernista?